


BELICISMO, PRAGAS BÍBLICAS E SUBVERSÃO: ÚLTIMOS FILMES VISTOS
Pesadelo Americano (American Gun, de Aric Avelino, 2005, HBO):
Um retrato duro e pungente do universo bélico que tanto apaixona a sociedade norte-americana, levando seus cidadãos aos mais diversos atos inconseqüentes e à conseqüências trágicas e desumanas. A partir de quatro histórias intercaladas, vemos um diretor de colégio, a mãe de assassino juvenil e o dono de uma loja de armas convivendo com os conflitos e perdas que suas escolhas de vida acarretaram dentro do ambiente onde vivem. Em alguns momentos o diretor peca pela frieza das imagens (que em determinadas seqüências exigiram uma dureza maior) e o final poderia ter sido mais bem trabalhado. No entanto, vale pelo exercício de cidadania e pelas interpretações de Márcia Gay Harden e Forrest Whitaker.
A Colheita do Mal (The Reaping, de Stephen Hopkins, 2007, Cinema):
Pragas bíblicas... Suspense... Satanismo... E Hillary Swank. Thriller sobre uma cidade do interior que é afetada por estranhos acontecimentos paranormais. Os habitantes acreditam que tudo está relacionado a uma menina amaldiçoada. Nessa hora entra em ação a especialista em desmistificar milagres vivida por Swank, uma mulher que perdeu a fé após a morte bárbara de sua família. Agora ela terá de transitar por entre o terreno divisório entre ciência e religião para encontrar as respostas necessárias para acabar com o caos. Infelizmente, o final além de manjado dá margem a uma continuação (algo que não gosto em produções cinematográficas). No mais, vale como entretenimento, principalmente para o público adolescente que adora essas tramas assustadoras e cheias de explicações científicas.
O Libertino (The Libertine, de Laurence Dunmore, 2004, DVD):
Sensual, provocador, subversivo, impactante. Johnny Depp nos apresenta uma de suas melhores interpretações como o depravado John Wilmot, Segundo Conde de Rochester, um homem que enojou e indignou a corte e a sociedade inglesa com seu teatro pérfido e seus costumes diretos e nada conservadores. Unido a um figurino, direção de arte e maquiagem impecável, mostram de forma poderosa uma Londres devastada pela luxúria, a sexualidade exacerbada e uma falta de pudor total por parte de seus habitantes hipócritas e repletos de contraditoriedades morais. A narrativa cresce com o tempo e aquele roteiro que parecia monótono, melancólico no início vai dando lugar à vida de um homem malquisto cheio de reveses e paixões em demasia (muitas delas, não concretizadas de fato). Profundo como a lâmina de uma faca apontada para a genitália alheia.


Leia este blog no seu celular